Documentos históricos ajudam a reconstruir a trajetória de São Sebastião do Passé antes da emancipação de 1926
Recorte sobre a elevação do arraial à categoria de vila e edição da Folha da Noite, de 1922, ampliam a investigação sobre as origens do município, que celebra seu centenário em 2026.
SÃO SEBASTIÃO DO PASSÉ (BA) — A celebração dos 100 anos de emancipação política de São Sebastião do Passé ganha uma oportunidade especial de valorização da memória histórica. Documentos antigos apresentados ao O RADIÃO ajudam a recuperar aspectos da organização territorial e da trajetória administrativa da localidade antes da criação do município, em 1926.
Um dos registros traz o título “São Sebastião passa de arraial á villa”, utilizando a grafia da época. A publicação informa que o arraial de São Sebastião, então pertencente ao município de São Francisco, foi elevado à categoria de vila.
O texto também descreve os limites territoriais da localidade, mencionando engenhos, rios e municípios vizinhos.
Entre as referências aparecem o Engenho de Piricoara, Bananeiras, o antigo Engenho São Gonçalo, o rio São Paulo e os territórios de Pojuca, Santo Amaro, Monte-Negro e Mata de São João.
Essas referências mostram como a organização territorial estava relacionada às antigas propriedades rurais e aos elementos naturais da região.
Um jornal paulista de 1922 entra na investigação
Outro documento apresentado à reportagem é uma página do jornal Folha da Noite, publicado em São Paulo, no sábado, 7 de outubro de 1922.
O registro possui valor documental por permitir identificar uma publicação jornalística que circulava quatro anos antes da emancipação sebastianense.
Entretanto, a página apresentada não permite identificar com segurança uma notícia específica sobre São Sebastião do Passé. Também não foi comprovado que o recorte sobre a passagem de arraial a vila tenha sido publicado nessa edição.
A distinção é importante para evitar atribuir ao documento uma data ou origem ainda não demonstrada.
A história começou muito antes do centenário
A formação de São Sebastião do Passé está relacionada à ocupação do Recôncavo Baiano, à expansão dos engenhos de açúcar e ao surgimento de comunidades rurais.
Em 1718, a localidade já possuía reconhecimento como freguesia de São Sebastião das Cabeceiras do Passé.
Ao longo dos séculos, agricultores, trabalhadores, comerciantes, famílias e comunidades contribuíram para a construção da identidade sebastianense.
A presença africana e afro-brasileira, inclusive por meio do trabalho escravizado durante o período colonial, integra essa trajetória e merece destaque na preservação da memória municipal.
A emancipação de 1926
A Lei Estadual nº 1.870, de 19 de julho de 1926, marcou a criação do município de São Sebastião, desmembrado de São Francisco.
Sua instalação aconteceu em 12 de outubro de 1926, tendo Luís Ventura Esteves como primeiro intendente.
Cem anos depois, a cidade celebra uma trajetória de transformações políticas, econômicas, sociais e culturais.
Preservar o passado para compreender o presente
Os registros recuperados reforçam a necessidade de preservar jornais, fotografias, mapas, documentos administrativos e relatos de antigos moradores.
A investigação também abre caminho para localizar os engenhos mencionados, comparar os antigos limites territoriais com os atuais e identificar personagens que contribuíram para o desenvolvimento da cidade.
São Sebastião do Passé comemora 100 anos de emancipação, mas sua história atravessa séculos.
Neste centenário, O RADIÃO reafirma o compromisso de valorizar a memória do município, com respeito aos documentos, aos fatos e às gerações que ajudaram a construir sua identidade.
O RADIÃO — Especial Centenário de São Sebastião do Passé.
Fontes documentais: recorte histórico “São Sebastião passa de arraial á villa”; Folha da Noite, São Paulo, 7 de outubro de 1922; histórico municipal do IBGE e legislação estadual de 1926.








