Professores estão a frente dos profissionais de segurança para receber a Vacinação.
19/02/2021 22:26 em Saúde

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou, durante reunião com a Frente Nacional de Prefeitos (FNP), que estuda inserir os professores no próximo grupo prioritário da vacinação. Segundo a FNP, Pazuello fará a adaptação no Plano Nacional de Imunização (PNI) e deve fazer a inclusão dos docentes na lista prioritária até março

Em ofício enviado ao Ministério da Saúde, na última sexta-feira (12/2), a frente afirmou que “a vacinação trará mais segurança às aulas presenciais, mesmo que em sistema híbrido”.

 


Em 4 de fevereiro, diversos grupos educacionais enviaram carta aberta ao governo federal solicitando a priorização dos docentes na vacinação e a ampliação da quantidade de vacinas. Segundo o presidente da Associação Nacional de Educação Católica do Brasil (Anec), Paulo Fossati, a carta se justifica pela exposição dos professores com os alunos e a possibilidade de contágio, inclusive durante o deslocamento entre casa e escola.

“Estamos na linha de frente o tempo todo e trabalhamos em ambientes fechados, por mais que busquemos espaços ao ar livre. Se educação é prioridade, a prioridade também é imunizar todos os educadores”, defende Fossati, também reitor da Universidade La Salle (RS).


Ele celebra que a carta aberta tenha chegado aos prefeitos, que pressionaram Pazuello para que os educadores fossem incluídos no PNI. O que resta agora é cobrar para que, de fato, a promessa do ministro seja cumprida e haja a inclusão.

Além da Anec, assinam a carta outras entidades, como o Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras (Crub), a Associação Brasileira das Instituições Educacionais Evangélicas (Abiee), a Associação Brasileira das Instituições Comunitárias de Educação Superior (Abruc) e a Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem).

 

A proposta dos grupos educacionais é manter um diálogo com o governo para evitar a falta de vacinas e imunizar um maior percentual da população. Foram vacinadas 5.614.633 pessoas, o que representa 2,65% da população brasileira.


O presidente da Anec também ressalta que várias nações provam que é possível reduzir os efeitos da pandemia, como mortes e número de internados. “Israel e tantos outros países, por exemplo, mostraram que quando temos altos índices de imunização, temos a diminuição do número de internados e mortes”, argumenta.

Bons exemplos no exterior


O Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), principal órgão de saúde pública dos Estados Unidos, disse, na última sexta-feira (12/2), que o ensino presencial pode ser retomado com medidas de biossegurança. A vacinação dos professores, segundo o CDC, é importante para a retomada do ensino presencial no país, mas não um pré-requisito.


Ao todo, 28 estados e a capital Washington D.C., começaram a vacinar o grupo prioritário, que inclui trabalhadores essenciais (policiais, bombeiros, agricultores, carteiros, condutores de ônibus, trabalhadores de supermercados e do setor educacional) e idosos acima dos 75 anos.

 

Divulgação/OneVox - Alfredo Freitas, diretor de educação e tecnologia da Ambra University, acredita que a indefinição de como serão as aulas pode atrasar a definição do ano letivo

 


Alfredo Freitas, diretor de educação e tecnologia da Ambra University, acredita que o principal diferencial dos Estados Unidos hoje e que deveria ser levado como aprendizado para o Brasil é a flexibilização nas decisões políticas. “Não devemos esperar que o governador ou presidente tenha essas respostas para a retomada das aulas. Deve-se delegar para que as cidades deleguem às escolas e, assim, os diretores definam o que faz sentido”, pontua. “Uma cidade no Amazonas tem realidade diferente de uma em São Paulo”, compara.

Ele também pondera que a indefinição de como serão as aulas pode gerar insegurança para as famílias e atrasar a definição do ano letivo. “O ensino no Brasil está indefinido na maioria dos estados. Temos retorno presencial em parte, mas em outros está instável. E a indefinição gera instabilidade e dificuldade em estabelecer um programa de como vai ser o curso do ano”, afirma o mestre em ciências, automação e sistemas pela Universidade de Brasília (UnB).


Insegurança física e mental

Enquanto professores não são vacinados, a sensação que fica, segundo Paulo Fossati, é de insegurança. Depois de um ano de educação remota, as pessoas querem voltar ao contato físico, as famílias voltam a trabalhar e não têm onde deixar os filhos nas escolas. Muitas instituições, para respeitar o número máximo permitido de alunos em sala, adotaram o ensino híbrido.


Além disso, a maior insegurança fica para a rede pública. "Estamos com grande número de escolas públicas que, por maior esforço, não têm as melhores condições, os alunos não têm acesso à internet e sabemos que tem um contingente de escolas não têm água encanada. Como garantir segurança sem imunização?”, questiona o presidente da Anec.


Casos de covid-19 confirmados


No estado de São Paulo, são 741 casos do novo coraonvírus confirmados em escolas, entre alunos e professores. Entre 1º de janeiro e 13 de fevereiro, o Sistema de Informação e Monitoramento da Educação para a covid-19 (Simed) registrou nas escolas das redes estadual, municipal e particular, 2.208 notificações relacionadas ao coronavírus. Destas, 168 são casos suspeitos, 741 casos confirmados e 334 descartados. Entre os confirmados, 456 casos foram na rede estadual, 14 nas redes municipais e 271 na particular.

Professores estão à frente dos profissionais de segurança na de lista prioridade para receber a vacinação contra a covid-19 no Distrito Federal. O anúncio foi feito pelo vice-governador Paco Britto (Avante) durante entrevista à Rádio CBN, na manhã desta quarta-feira (3/2). Ele informou ainda que a imunização dos docentes deve ocorrer em março, caso as doses da vacina cheguem nas datas previstas.

De acordo com o vice-governador, enquanto outros grupos, como rodoviários e taxistas, que têm contato direto com a população, não estão nos grupos prioritários, o Governo do Distrito Federal (GDF) realiza ações de conscientização e distribuição de máscaras e álcool em gel. “Hoje, estamos fazendo distribuição de álcool em gel para todos os taxistas do DF. Estamos tentando conscientizar a população. Enquanto os taxistas não estão imunizados, estamos fazendo um trabalho com essa categoria”, disse.

Na semana passada, o GDF realizou a ação na Rodoviária do Plano Piloto, com distribuição de álcool em gel. Os produtos, segundo Paco, são fruto de arrecadação de empresas privadas. “É uma parceria que estamos fazendo com o setor privado. Já distribuímos mais de 100 mil álcool gel, 50 mil máscaras, arrumamos mais 20 leitos de UTI (unidade de terapia intensiva)”, destacou.

Sobre a vacinação de idosos com 80 anos ou mais, o vice-governador respondeu que o GDF tem feito campanhas para esclarecer todas as dúvidas dos cidadãos. “Não é a população, nem a secretaria do DF que está perdida, é a população do mundo. É uma pandemia mundial, que afetou países de primeiro mundo”, disse. “A campanha está sendo feita dentro do que podemos gastar com publicidade”, completou.

As dúvidas dos brasilienses a respeito da campanha de imunização, iniciada na última segunda-feira (1º/2), gerou filas e aglomerações em muitos pontos de vacinação, principalmente nos primeiros dias. No mesmo dia, a Secretaria de Saúde informou que disponibilizaria pontos de atendimento drive-thru e reativaria o Telecovid, ferramenta que seria usada para o agendamento de idosos com dificuldade de locomoção e em tratamento home care. No entanto, a população disse que não havia nenhum sistema de agendamento, apenas anotação de dados. “Vou providenciar para ser data e hora já pré-agendado por um sistema de agendamento eletrônico”, prometeu Paco.

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